Um esboço aberto
- Jun 18
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Updated: Jun 25
Nada melhor do que começar com essa história 🧚🏻
Afinal, a vida rodeada por projetos e cadernos torna-se rotineira no contexto de uma pessoa designer. Cada espaço tem a potencialidade de inspirar e ocasionar novas percepções sobre o mundo. Logo, no dia a dia, a gente é estimulado a pensar pela tangente.
Em aproximadamente 14 anos de contato com áreas criativas, observo que o limiar da expressão criativa e da imersão em temáticas complexas é tênue. Quase como se a criatividade fosse, antes de tudo, uma resposta à complexidade posta.
Tudo muito lindo, tudo muito bom. Mas onde Augusto encontra o Esboço Aberto?
Por tempos, carreguei o receio em me rotular como uma pessoa designer. Inicialmente, pelo fato de transitar entre diversas posições de trabalho que contemplam a direção de arte, o desenvolvimento de interfaces digitais, a pesquisa aplicada ao design, a coordenação de projetos e o magistério. Isso me aproximou da compreensão de como a indústria funciona, mas me deixou em um lugar de questionamento sobre minha atuação. Mesmo com a trajetória construída ao longo da carreira, não me sentia especialista.
Imagem 1: Mini-curso elaborado no 7º Congresso Brasileiro de Avaliação de Impacto (CBAI).

Fonte: Meu acervo :)
Esse olhar também faz parte de um senso de qualidade e exigência pessoal ALTÍSSIMO — algo que venho desconstruindo com longas sessões de terapia. Com o tempo compreendi que o meu maior limitador era justamente esse senso crítico interno que construí para, de alguma forma, paralisar minha exposição.
Houve então uma mudança territorial. Física mesmo: do Rio Grande do Sul para o Rio de Janeiro. De uma cidade com sete mil pessoas para uma capital com quase sete milhões.
Imagens 2 e 3: Momentos com a vó (e como Téo).
Fonte: Meu acervo :)
Assim, manifestou-se uma vontade em aprender a fazer os meus próprios ajustes, como uma forma de me conectar a ela e encontrar autonomia na feitoria dessas alterações. No fim do ano de 2024, ao passar alguns dias em sua casa, pedi para ela me ensinar os básicos de costura, para que eu pudesse alcançar o objetivo. Minha tia me presenteou com uma máquina simples que estava parada e, entre idas e vindas, consegui fazer minhas primeiras costurinhas.
A costura chegou em minha vida como um amparo. Como um olhar ao imperfeito. Como algo novo, que se utiliza dos conhecimentos que aprendi na prática, mas que exige uma aprendizagem motora. Indiretamente, já estava presente em minha trajetória — ao acompanhar o dia a dia de minha avó — e ocasionou um espaço para ampliar os meus processos criativos.
Afinal, com essa nova prática, iniciei um processo de construir roupas que eu gostaria de vestir. Também, comecei a vestir esses esboços, os meus projetos em aberto. Um confronto ao perfeccionismo, no qual me desafiei a construir novas versões pessoais, que abraçam o que profissionalmente eu não permito. Expandindo os meus limites criativos, quebrando a barreira do projeto perfeito.
Imagens 4 e 5: Lookinhos autorais.
Fonte: Meu acervo :)
Minha avó talvez não imaginasse o quão importante esse processo se tornaria. Que o despertar do esboço aberto me fez rever a complexidade que habita em mim. Que o olhar direcionado a uma nova prática possibilitaria identificar uma forma de expressão; uma identificação de que os processos criativos se fazem presentes independentemente do tipo de projeto. Nesse mergulho, foi engraçado observar que os sistemas complexos que observo no trabalho, interagem com o esboço de vida. Ou ainda, com o movimento maluco de pilates que me desafio a aprender.
Imagens 6 e 7: Movimentos de pilates.
Fonte: Meu acervo :)
Ao fim dessa reflexão, identifico que o esboço aberto é um espaço de expressão de minha própria complexidade. Em um olhar que antes segregava as diferentes caixinhas que compunham a vida. Que pareciam desassociadas, mas se revelaram interligadas. Um ecossistema. Entre minha versão que observa sistemas complexos, a versão que vira de cabeça para baixo, a versão que constrói camisetas que gostaria de vestir e a versão que veste uma roupa com o gostinho de “eu que fiz”, existe esse lugar. Um lugar que as une 🫶🏻🧚🏻✨
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